sábado, 31 de março de 2012

Domingo de RAMOS

Quando só se pensa em Messias como Rei Glorioso - Mesters e Lopes

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QUANDO SÓ SE PENSA EM MESSIAS COMO REI GLORIOSO

JESUS, O EMPREGADO DE TODOS, VEM MONTADO NUM ANIMAL DE CARGA

Mc 11,1-11

Extraído livro Caminhando com Jesus - Círculos Bíblicos de Marcos - II Parte, de Carlos Mesters e Mercedes Lopes. Mais informações: vendas@cebi.org.br

(Veja outros livros de Carlos Mesters)

ABRIR OS OLHOS PARA VER

Esse texto fala da grande manifestação popular em favor de Jesus no Domingo de Ramos. Sentado num jumento, animal de carga, Jesus entra em Jerusalém, capital do seu povo. Os discípulos, as discípulas e povo romeiro, vindos da Galiléia, o aclamam como messias. Mas o povo da capital não participa. Apenas assiste, e as autoridades nem aparecem. A romaria termina na praça do Templo, a praça dos poderes. Parece uma passeata que termina diante da catedral e do Palácio do Planalto. Também hoje há manifestações populares. As suas reivindicações revelam o sofrimento do povo e a sua indignação frente às injustiças. Nem todos participam, pois têm medo. A maioria apenas assiste.

SITUANDO

Finalmente, após uma longa caminhada de mais de 140 quilômetros, desde a Galiléia até Jerusalém, a romaria está chegando ao seu destino. Neste quinto bloco (Mc 11,1 a 13,37), tudo se passa em Jerusalém, símbolo central da religião (Sl 122,3). No início do bloco, está o gesto simbólico de Jesus: aclamado pelo povo peregrino, ele entra na cidade montado num jumentinho, animal de carga.

A caminhada de Jesus e seus discípulos era também a caminhada das comunidades no tempo em que Marcos escrevia o seu evangelho: seguir Jesus, desde a Galiléia até Jerusalém, desde o lago até o calvário, com a dupla missão de denunciar os donos do poder que preparam a cruz para quem os desafia e de anunciar ao povo sofrido a certeza de que um mundo novo é possível. Esta mesma caminhada continua até hoje.

COMENTANDO

Marcos 11,1-3: A chegada em Jerusalém

Jesus vem caminhando, como romeiro no meio dos romeiros! O ponto final da romaria é o Templo, onde mora Deus! Em Betânia ele faz uma parada. Betânia significa Casa da Pobreza. Era um povoado pobre fora da cidade, do outro lado do Monte das Oliveiras. De lá, Jesus organiza e prepara a sua entrada na cidade. Ele manda os discípulos buscar um jumentinho, um jegue, animal de carga, para poder realizar um gesto simbólico.

Marcos 11,4-6: A ajuda dos discípulos e das discípulas

Os discípulos fazem como Jesus tinha mandado, e tudo acontece conforme o previsto. Eles encontram o jumentinho e o levam até Jesus. E alguns dos que ali se encontravam perguntaram: "Por que vocês estão soltando o jumentinho?" E eles responderam: "Jesus está precisando!" Todos nós somos como o jumentinho, animal de carga. Jesus precisa de nós.

Marcos 11,7-10: A entrada solene na Cidade Santa

Jesus monta o jumentinho e entra na cidade, aclamado pela multidão de peregrinos e pelos discípulos. Na cabeça deles está a ideia do messias rei glorioso, filho de Davi! Eles acreditam que, finalmente, o Reino de Davi tenha chegado e gritam: "Bendito o Reino que vem de nosso pai Davi!" Jesus aceita a homenagem, mas com reserva. Montado no jumentinho, ele evoca a profecia de Zacarias que dizia: "Teu rei vem a ti, humilde, montado num jumento. O arco de guerra será eliminado" (Zc 9,9-10). Jesus aceita ser o messias, mas não o messias rei glorioso e guerreiro que os discípulos imaginavam. Ele se mantém no caminho do serviço, simbolizado pelo jumentinho, animal de carga. Jesus ensina agindo. Os discípulos, que procurem entender o gesto de Jesus, mudem de ideia e se convertam!...

FONTE: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=2888

domingo, 25 de março de 2012

Posse do Pároco da Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro

Neste “Ano Jubilar”, a Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro, Jequié-Ba, tem um novo Pároco.

No segundo domingo da Quaresma, dia 4 de março de 2012, na Celebração Eucarística das 19:30hs Dom Cristiano (Bispo diocesano de Jequié) deu posse ao novo Pároco da Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro Pe. Uidelfonso Machado de Souza, CP (Missionário Passionista), com a presença do Superior Regional Passionista na Bahia (Vicariato Beato Domingos da Mãe de Deus) Pe. Pedro Bacchiocchi, CP e dos Vigários Paroquiais: Pe. Marcos Antonio, Pe. José Carlos e Mário Tomassetti juntamente com o Povo de Deus desta Paróquia.
A todos os paroquianos e ao Pároco Pe. Uidelfonso as nossas orações para o bom êxito desta missão que o Senhor lhe confiou.

Só começamos a entender algo da fé quando nos sentimos amados por Deus - José Pagola

por Instituto Humanitas Unisinos (IHU)
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A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 12, 20-33 que corresponde ao Domingo 5º da Quaresma, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

O atrativo de Jesus

Uns peregrinos gregos que vieram celebrar a Páscoa dos judeus aproximaram-se de Felipe com uma petição: "Queremos ver Jesus". Não é curiosidade. É um desejo profundo de conhecer o mistério que se encerra naquele Homem de Deus. Também a eles lhes pode fazer bem.

Jesus é visto preocupado. Dentro de alguns dias será crucificado. Quando lhe comunicam o desejo dos peregrinos gregos, pronuncia umas palavras desconcertantes: "Chega a hora de que seja glorificado o Filho do Homem". Quando for crucificado, todos poderão ver com claridade onde está a Sua verdadeira grandeza e a Sua glória.

Provavelmente ninguém entendeu nada. Mas Jesus, pensando na forma de morte que o espera, insiste: "Quando Eu for elevado sobre a terra, atrairei todos até Mim". Que se esconde no crucificado para que tenha esse poder de atração? Apenas uma coisa: O Seu amor incrível a todos.

O amor é invisível. Só o podemos ver nos gestos, nos sinais e na entrega de quem nos quer bem. Por isso, em Jesus crucificado, na Sua vida entregue até à morte, podemos perceber o amor insondável de Deus. Na realidade, só começamos a ser cristãos quando nos sentimos atraídos por Jesus. Só começamos a entender algo da fé quando nos sentimos amados por Deus.

Para explicar a força que se encerra em Sua morte na cruz, Jesus utiliza uma imagem simples que todos podemos entender: "Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto". Se o grão morre, germina e faz brotar a vida; mas se se encerra no seu pequeno involucro e guarda para si a sua energia vital, permanece estéril.

Essa bela imagem descobre-nos uma lei que atravessa misteriosamente a vida inteira. Não é uma norma moral. Não é uma lei imposta pela religião. É a dinâmica que torna fecunda a vida de quem sofre movido pelo amor. É uma ideia repetida por Jesus em diversas ocasiões: Quem se agarra egoisticamente à sua vida, coloca-a a perder; quem sabe entregá-la com generosidade gera mais vida.

Não é difícil comprová-lo. Quem vive exclusivamente para o seu bem-estar, o seu dinheiro, o seu êxito, a sua segurança, acaba vivendo uma vida medíocre e estéril: a sua passagem por este mundo não faz a vida mais humana. Quem se arrisca a viver uma atitude aberta e generosa difunde a vida, irradia alegria, ajuda a viver. Não há uma forma mais apaixonante de viver que fazer a vida dos outros mais humana e leve. Como poderemos seguir Jesus se não nos sentimos atraídos pelo Seu estilo de vida?

FONTE: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=2872


domingo, 4 de março de 2012

Pedro Casaldáliga.

A vida do bispo dos pobres em seriado de TV

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Toto: Pedro LIma

O bispo emérito de São Félix do Araguaia (Brasil), bispo dos pobres e dos sem-terras, Pedro Casaldáliga, terá sua série de televisão. Trata-se de "Descalzo sobre la tierra roja" (Descalço sobre a terra vermelha, em catalão), baseado no romance homônimo do jornalista Francesc Escribano, que começará a gravação na primavera e será transmitida na TVE e TV3.



A reportagem é de Jésus Bastante e está publicada no sítio Religión Digital, 29-02-2012. A tradução é do Cepat.



O papel do missionário catalão será interpretado por Eduard Fernández, que visitou ao prelado na Amazônia, há alguns meses, para conhecê-lo pessoalmente. A série será co-produzida pela TVC, TVE, Minoria Absoluta, Raiz Produções Cinematográficas e TV Brasil.

Em 16 de fevereiro passado, Pedro Casaldáliga completou 84 anos. Nascido em 1928, foi ordenado sacerdote em 31de maio de 1952, unindo-se aos claretianos. Em junho de 1968, mudou-se como missionário para o estado do Mato Grosso, no Brasil. Em 23 de outubro de 1971 foi ordenado bispo de São Félix do Araguaia.

A diocese era uma das mais extensas do país, ocupando uma área de aproximadamente 150.000 Km2, habitada em sua maior parte por indígenas e terratenentes assim como o regime militar existente no Brasil naquele momento. João Bosco, seu vigário, foi assassinado por matadores que o confundiram com o próprio Casaldáliga (1977). Nesses momentos, recebeu total apoio do Vaticano, especialmente do papa Paulo VI, mas nem sempre seria assim.

Mesmo que jamais tenha regressado para a Espanha, sempre se mostrado resistente a viajar por medo de não poder entrar novamente no Brasil, em 1985 realizou uma polêmica visita a Nicarágua. Casaldáliga foi até esse país para apresentar sua solidariedade aos religiosos nicaraguenses. Em 1988 viajou até o Vaticano e foi recebido em audiência pelo Papa. A visita não foi plenamente satisfatória e, alguns meses mais tarde, recebeu uma séria advertência da Santa Sé que criticou seu apoio à causa sandinista e à teologia da libertação.

Ao completar os 75 anos, Casaldáliga lembrou-se do Vaticano que - como todos os bispos ao chegar a essa idade - tinha que apresentar sua renúncia. O religioso decidiu permanecer na diocese que dirigiu durante mais de 35 anos, reinvidicando a participação da comunidade na eleição de seu sucessor, embora a Santa Sé lhe tenha recomendado deixar o país. Há algum tempo enfermo de Parkinson, Pedro Casaldáliga não quis abandonar a luta pela defesa dos direitos dos menos favorecidos.

Conheça os livros:

- Os espinhos do poder. Análise de Juízes 9

- Bíblia e Negritude - Pistas para uma leitura afro-descendente

http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=2805

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Extraordinária Campanha da Fraternidade - Roberto Malvezzi


por Roberto Malvezzi, Gogó da Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo

A colaboração das Campanhas da Fraternidade para as políticas públicas brasileiras são inegáveis, desde que o olhar esteja despido de preconceitos religiosos ou eclesiais. Temáticas como a violência, paz, água, terra, deficientes, tem ajudado a sociedade brasileira a debruçar-se sobre desafios que em geral ficam apenas na constatação e reclamações. São 49 anos de grande contribuição da Igreja.

Infelizmente certos setores da Igreja acham que a CF atrapalha o clima da Quaresma. Eu penso exatamente o contrário, isto é, a CF enriqueceu a Quaresma, dando-lhe um conteúdo positivo de conversão para o irmão, vencendo aquele clima necrófilo vivido nas Quaresmas em certas regiões brasileiras. Mas, a CF não perdeu sua pertinência.

Esse ano, a temática da saúde pode fazer um bem fantástico a milhões de brasileiros que precisam da saúde pública. Esse é o primeiro mérito do texto base, ele põe a questão da política pública de saúde para ser debatida, sem renunciar às outras dimensões, como do cuidado com os enfermos, da valorização dos profissionais de saúde, da saúde alternativa.

Uma das dimensões inseridas no debate é a relação saúde e ambiente. Participei um pouco das reflexões sobre esse assunto, particularmente no Congresso da Pastoral da Saúde, final do ano passado, no espaço camiliano em S. Paulo. Aliás, vai ser lançado também um livro sobre o assunto, organizado pelo Pe. Alexandre, Camiliano envolvido na Pastoral da Saúde. A constatação é óbvia: sem ambiente sadio, não existem pessoas sadias. Portanto, toda dimensão preventiva da saúde precisa ser efetivada. Aí entra a questão do saneamento, água potável, alimentos sadios, casas salubres, ar limpo e tudo mais que a própria Constituição já prevê como saúde ambiental.

A Pastoral conta ainda com um médico como seu coordenador, Dr. André Luís, que já foi secretário de saúde de Uberlândia, Minas. Ele também representa a Pastoral da Saúde no Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM). Portanto, consegue articular a dimensão profissional com a dimensão pastoral, algo essencial nas Campanhas da Fraternidade.

Tomara que a saúde se difunda sobre a Terra, numa época de graves problemas ambientais e de saúde pública. Se avançamos com o SUS, precisamos que ele se torne real para todos os brasileiros. O SUS, juntamente com a Previdência Social, forma a solidariedade social mais ampla e generosa desse país, que é tão injusto na concentração de bens, de renda, saberes e poderes.

A luta pela justiça é também uma luta pela saúde.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Celebração Eucaristica de abertura do ano jubilar de 300 anos de construção da Igreja de N. Sra. da Boa Viagem

O Povo de Deus da cidade baixa de São Salvador da Bahia amanheceu em Festa, com uma salva de fogos as 6h00min deste domingo 12 de fevereiro de 2012 na Praia da Boa Viagem saldo o Bom Jesus dos Navegantes e N. Sra. da Boa Viagem alertando para a Celebração Eucaristia de abertura do ano de comemorações pelos "300 anos" de edificação da Igreja de N. Sra. da Boa Vaigem, que aconteceu as 7h30min com presidência do seu Pároco Pe. Adilson Santana do Carmo, CP abrindo a porta da Igreja simbolizando a abertura deste "Ano Jubilar" juntamente com seu Vigário Paroquial Pe. Uidelfonso Machado, CP adentraram ao templo com os Religiosos Passionistas e todo Povo de Deus desta Paróquia. Bem como os representante do Poder publico do Estado e do Municipio.

Como ponto principal desta Celebração, a "lamparina acesa no Santo Sepulcro em Jerusalém e trazida pelos Marinheiros para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia e entre a essa Igreja como promotora da Paz pelo Cardeal Primaz do Brasil D. Geraldo Margella Agnelo" foi reacesa pelo Pároco com símbolo do Ano Jubilar desta Igreja e reanimar os fieis a rezar e promover a paz. Bem como a benção da Mãe da Boa Viagem que através da Imagem que entrou no templo saldado os seus filhos e filhas.

Confira programação:
05 a 07/04/2012 - Tríduo Pascal
08/04/2012 - Páscoa do Senhor
01 a 30/05/2012 - Mês Mariano
05/05/2012 - Momento de Louvor
31/05/2012 - Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem e Coroação
01 a 13/06/2012 - Trezena de Santo Antônio
12 a 17/08/2012 - Semana de Espiritualidade Familiar
09 a 16/09/2012 - Semana Eucarística Paroquial
01 a 31/10/2012 - Mês Missionário (Capela Missionária Itinerante)
18/11/2012 - Dia da Festa Paroquial
27 a 31/12/2012 - Festa dos Padroeiros

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Nascem profetas

Marcelo Barro

(Marcelo Barros é autor do livro O espírito vem pelas águas)

No Brasil, no dia 07 de fevereiro, nasceu um grande profeta e no mesmo dia, outro profeta deu a vida pelo povo. De fato, no dia 07 de fevereiro de 1756, no sul do Brasil, perdeu a vida o cacique guarani Sepé Tiaraju, defendendo a terra e a liberdade do seu povo contra os exércitos reunidos de Portugal e Espanha. Sepé Tiaraju era o nome que os índios lhe deram. Significa "facho de luz". Até hoje, o povo da região o venera com o título de São Sepé, inclusive, nome de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. No mesmo dia 07 de fevereiro, já no começo do século XX, nasceu no nordeste brasileiro, uma criança que se tornou Dom Hélder Câmara, bispo dos pobres e profeta da justiça e da libertação.

Todo ser humano pode ser um profeta ou profetiza. Há as pessoas que, desde que nascem, desenvolvem este dom. Outros o descobrem no decorrer da vida. Outros/as passam a vida inteira sem acessar essa capacidade que tem nomes diversos conforme a cultura e tradição na qual se desenvolve e que a Bíblia chama de profecia.

Para muitas culturas indígenas, profeta é alguém que interpreta sonhos, se comunica com os espíritos e interpreta o futuro. Na tradição bíblica mais antiga, os profetas eram videntes que, em comunidade, aconselhavam as pessoas sobre o que fazer na vida e previam o destino do povo. Pouco a pouco, descobriram que sua vocação não era tanto a de apenas pressentir o mundo invisível, mas principalmente ser porta-vozes do Espírito para revelar o projeto divino para o mundo. Deus não intervém diretamente na nossa história e respeita ao máximo a autonomia humana. Por isso, para descobrir sua palavra, homens e mulheres que desenvolvem a vocação profética têm de viver uma profunda busca e discernimento da palavra divina que devem reproduzir. E devem ter muito cuidado para não projetar seus desejos e confundir a palavra de Deus com seus próprios discursos e pensamentos. Durante toda a sua vida quem é profeta ou profetiza busca sinais para poder confiar que a sua intuição vem mesmo da inspiração divina.

Há profetas em todas as religiões e mesmo fora das tradições espirituais. Cada profeta recebe de Deus uma profecia própria. Dom Helder viveu a profecia de sempre ajudar a abrir a Igreja Católica para o diálogo com o mundo, o diálogo com as outras igrejas e as mais diversas religiões. Em uma época na qual os padres e bispos eram formados para verem o comunismo ateu como o inimigo número um, Dom Hélder sempre procurou dialogar com os marxistas e aprofundou uma sincera amizade com Roger Garaudy que na época saia do Partido Comunista Francês. Ele via como sua vocação de cristão ser como Jesus, nunca se negar a dialogar com ninguém e, ao contrário, pelos frutos, valorizar a árvore. Isso o levava a se unir a todos os que buscam transformar esse mundo injusto e garantir o direito dos mais pobres. Diferentemente do índio Sepé Tiaraju, porque viveu em outras condições históricas, Dom Hélder sempre optou pela luta não violenta que ele chamou de insurreição evangélica. Aos 89 anos, no Recife, recebeu o famoso Abbé Pierre. Juntos, declararam à imprensa: "Durante toda a nossa vida, lutamos pela justiça e para transformar esse mundo. Agora, no final de nossa vida, percebemos que não conseguimos muita coisa. Mas, nos comprometemos de novo a ir até o último suspiro lutando por essa mesma causa que cremos: Deus confiou a todos nós que cremos nele".

Os Atos dos Apóstolos afirmam que o Espírito Santo vem sobre os discípulos de Jesus e se espalha por toda a terra, fazendo de todas as pessoas que o acolhem, profetas e profetizas do projeto divino no mundo. Por isso, todos os dias, nascem profetas.