terça-feira, 15 de março de 2011

PASSEIO SOCRÁTICO (Frei Betto)

"Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos, e em paz nos seus mantos cor de açafrão...
Em outro dia, eu observava o movimento do Aeroporto de São Paulo: a sala de espera estava cheia de Executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado o seu café da manhã em casa; mas, como a companhia aérea oferecia outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos vistos por mim, até aqui, realmente produz felicidade?". Passados alguns dias, encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?". E ela me respondeu: "Não. Eu só tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom! Isto significa, então, que, de manhã, você pode brincar, ou dormir até mais tarde!...". "Não;", retrucou-me ela, "tenho tanta coisa a fazer, de manhã...". "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês; de balé; de pintura; piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada... Fiquei pensando: "Que pena! A Daniela não me disse: "Tenho aula de meditação".
Vê-se que estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas, emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo... Mas, preocupo-me com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos. Alguns perguntarão "Como estava o defunto?". E outros responderão: "Olha..., uma maravilha, não tinha uma celulite!"...
Mas, como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação, porém, de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é "entretenimento". Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil, o apresentador; imbecil, quem vai lá e se apresenta no palco; imbecil, quem perde a tarde diante da telinha...
E como a publicidade não consegue vender felicidade, ela nos passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro..., você chega lá!".
O problema é que, em geral, "não se chega"! Pois, quem cede a tantas propagandas desenvolve, de tal maneira, o seu desejo, que acaba precisando de um analista, ou de remédios. E quem, ao contrário, resiste, aumenta a sua neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: a amizade, a auto-estima, e a ausência de estresse.
Mas, há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um Shopping Center. É curioso: a maioria dos Shoppings Centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles, não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de "missa de domingo". E ali dentro se sente uma sensação paradisíaca: não há mendigos, não há crianças de rua, não se vê sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno: aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se vários nichos: capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Mas, aquele que só pode comprar passando cheque pré-datado, ou a crédito, ou, ainda, entrando no "cheque especial", se sente no purgatório.
E pior: aquele que não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald...
Por tudo isto, costumo dizer aos balconistas que me cercam à porta das lojas, que estou, apenas, fazendo um "passeio socrático". E, diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:"Estou, apenas, observando quantas coisas existem e das quais não preciso para ser feliz!"
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Fernando Freire Madureira
Equipe Tecnológica/UAB
Centro de Educação à Distância - CEAD
Instituto Superior de Educação - ISE

domingo, 13 de março de 2011

Converter-se tornando homem e mulher novos em Cristo

Leituras do Primeiro Domingo da Quaresma

1ª Leitura: Gn2,7-9;3,1-7 = Cristão e pecado dos primeiros pais.
Salmo Responsorial: Sl 50 = Piedade, Senhor, tende piedade.
2ª Leitura: Rm 5,12-19 = Onde abunda o pecado, ai superabundou à graça.
Evangelho: Mt 4,1-11 = Jesus jejuou durante quarenta dias e foi tentado.

Nesta última quarta-feira, celebramos a Quarta-feira de Cinzas, por tanto o inicio do Tempo Litúrgico da Quaresma - período reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa no Evangelho. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais, ou seja, converte-se.
Neste Primeiro Domingo da Quaresma, somos convidados a fazer uma reflexão sobre as nossas opções vida. Espelhados no homem e mulher velhos que edificaram sua vida optando pela suas escolhas sendo fracos não resistindo ao mal? Ou um homem e mulher novos, com uma vida equilibrada pela paz, capaz de vencer o mal e as tentações? Eis a questão.
O homem e mulher velhos são aqueles que seguem a mentalidade de Adão e Eva, gente sem compromisso com Deus, não vive o seu projeto, capaz de aderir a projetos atraentes que destrói a si mesmo e o leva a condenação eterna. Faz suas escolhas pelo prazer, pelo agradável, saboroso, sem medir as consequências que o pecado promove na sua vida interior.
O homem e mulher novos são aqueles que constroem a sua vida na prática da verdade do Evangelho, fortalecidos pela oração, pela penitência e pela prática da caridade cristã, permitindo que Deus crie um novo coração repleto de amor.
Esse tempo quaresmal é propício, meu irmão e minha irmã, a conversão pelo silêncio a exemplo de Jesus no deserto, para que encontremos o verdadeiro caminho na nossa vida. É no silêncio que Deus nos revela por inteiro, nos achamos diante Dele e com Ele para nos encontrar verdadeiramente e nos converter. Dê essa chance para você, mude de rumo, mude de vida e se torne em Cristo um homem e uma mulher novos, renovados, repletos de amor para ser vivido na justiça e no bem.

segunda-feira, 7 de março de 2011

RETIRO QUARESMAL - 2011


P. Amilton Manoel da Silva, CP

Estamos iniciando a Quaresma. Mais uma oportunidade que a Igreja nos dá, para voltarmos o olhar para nós mesmos, para os nossos semelhantes e para o planeta, e nessas realidades, reconhecermos a presença amorosa e salvífica de Deus.

O tempo da Quaresma nos leva, sobretudo, a fixar o olhar na Páscoa do Senhor. A celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus onde, pela meditação da Palavra, penitência, oração e prática do amor, nos unimos aos sofrimentos do Salvador e às dores da humanidade. Nesse sentido, a celebração da Páscoa, nos compromete com a defesa da vida, uma vez que “toda a criação geme em dores de parto e aguarda ansiosamente a redenção.” (cf. Rm 8,22)

Tudo isso só é possível se estivermos centrados em Deus, num processo contínuo de conversão, pois, Àquele nos amou primeiro, nos garante uma experiência pessoal e íntima da sua pessoa. Vale à pena tentar.

Para nos ajudar nesse caminho proponho um retiro a partir dos evangelhos de cada dia. O tema que nos iluminará é da carta aos Hebreus 12, 1-3, porque creio que com os olhos fixos em Jesus somos capazes de ver as realidades terrenas de outra maneira e dar respostas aos desafios humanos à luz da fé. A Campanha da Fraternidade deste ano servirá de suporte, pois vale lembrar que foram as atitudes orantes e contemplativas de Jesus que o levaram às ações libertadoras; da oração à ação um único mistério de amor se fez.

Que o Espírito Santo nos conduza nessa experiência de oração e na vivência profunda da Quaresma, como tempo de graça e renovação dos compromissos batismais. Bom retiro!

Método de oração de São Paulo da Cruz que poderá ser usado todos os dias:

1. Um local tranqüilo e cômodo.
§ Pacificação interior – consciência do corpo – relaxamento/mais ou menos 5 minutos.
§ Sentir-se na presença de Deus. § Reavivar a fé na presença e no amor de Deus. Fazer um ato de fé.
§ Reconhecimento dos pecados. Ato de humildade e pedido de perdão dos pecados.
§ Diga a Deus o que você deseja conseguir na oração.
2. Invocar o Espírito Santo. (oração, mantra, refrão, etc.) 3. LER O TEXTO BÍBLICO INDICADO PARA O DIA.
§ Ler várias vezes... fixar-se nas palavras...
4. Imaginar o cenário: ambiente, personagens fisionomia das pessoas...
5. Entrar na cena, dialogar com os personagens, sobretudo com Cristo.
§ Para ajudar, você poderá fazer perguntas (sugestão de Santa Tereza e de São Paulo da Cruz): Quem? Como? Quando? Por quê?
6. Atualizar as palavras de Jesus: O que este texto me pede? O que ele pede á humanidade? Como o amor de Deus se expressa nesse evangelho? Prestar atenção nos sentimentos...
7. Diga jaculatórias, ex: “Senhor, eu vos agradeço por terdes morrido na cruz pelos meus pecados, por meu amor, meu Jesus misericórdia”. “Maria, minha terna mãe, gravai no meu coração as chagas e Jesus Crucificado”, “Jesus, eu confio em Vós”...
8. Agradecimentos e propósitos - o que me proponho, diante dos apelos de Deus?
9. Faça preces pelas necessidades da Igreja e do mundo.
10. Se desejar, anote um versículo, ou escreva uma pequena oração referente ao tema ou algo que te provocou durante a oração.

“É no sagrado deserto interior que a alma aprende a ciência dos santos, como Moisés na profunda solidão do monte Horeb.” (São Paulo da Cruz)

COM OS OLHOS FIXOS EM JESUS – Hb 12, 1-3

CINZAS – Discernimento no olhar.

09/03 – Mt 6, 1-6.16-18: Deus (oração), eu (jejum) e o outro, o meio ambiente, o planeta (esmola).
10/03 – Lc 9, 22-25: Renúncia e cruz.
11/03 – Mt 9, 14-15: O jejum que fortalece.
Sábado: Rezar profundamente Hb 12, 1-3

PRIMEIRA SEMANA – 13/03. Mt 4, 1-11 - Tentações que afastam o nosso olhar de Jesus.

14/03 – Mt 25, 31-46: Indiferença com o irmão sofredor. “Eras tu, Senhor?”
15/03 – Mt 6, 7-15: Multiplicar palavras... Rezar apenas com os lábios...
16/03 – Lc 11, 29-32: Buscar sinais miraculosos, quando Deus se faz sinal na nossa vida.
17/03 – Mt 7, 7-12: Pedir o desnecessário. “O Pai vos dará o que precisais...”
18/03 – Mt 5, 20-26: Fechar-se ao perdão.
19/03 (Sábado) – Mt 1, 16.18-21.24a: São José manteve o olhar no Menino Deus e na sua Mãe.

Fixe o olhar no Crucifixo e peça ao Senhor a graça de vencer as tentações, como Ele venceu os que buscavam destruir o projeto de vida do Pai. Apresente ao Senhor os frutos da semana.

SEGUNDA SEMANA – 20/03. Mt 17, 1-9 – Com os olhos fixos no Senhor transfigurado,

21/03 – Lc 6, 36-38: Porque Ele é misericordioso.
22/03 – Mt 23, 1-12: Porque sua liderança é serviço.
23/03 – Mt 20, 17-28: Porque seu serviço educa e salva.
24/03 – Lc 16, 19-31: Porque voltou-se para o pobre.
25/03 – Lc 1, 26-38: Porque Ele se fez carne, e acolhe o SIM dos seus servos.

Sábado: Fixe o olhar na imagem do Coração de Jesus. Visualize a sua glória, glória que se mostra num coração que ama e que por isso está para fora. Apresente ao Senhor os frutos da semana. Conclua com uma oração espontânea, como: Quero viver, Senhor, transfigurado...

TERCEIRA SEMANA – 27/03. Jo 4, 5- 42 – O olhar do Senhor é uma fonte de água viva,

28/03 – Lc 4, 24-30: Capaz de aumentar a nossa fé.
29/03 – Mt 18, 21-35: Capaz de abrir nosso coração ao perdão.
30/03 – Mt 5, 17-19: A nos fortalecer na prática dos mandamentos.
31/03 – Lc 11, 14-23: Que expulsa os demônios.
01/04 – Mc 12, 28-34: Que nos conduz para o maior dos mandamentos.

Sábado: Fixe o olhar numa imagem de Jesus que lembra uma cena bíblica. Apresente ao Senhor os frutos da semana. Conclua com uma oração espontânea, como: Tu és a fonte de água viva...

QUARTA SEMANA – 03/04 – Jo 9, 1- 41. A luz do olhar de Cristo, nos olhos dos pequenos.

04/04 – Jo 4, 43-54: O olhar de Cristo no enfermo.
05/04 – Jo 5, 1-16: O olhar de Cristo no paralítico e nas paralisias da criação.
06/04 – Jo 5, 17-30: O olhar do Pai e do Filho repousa sobre a humanidade.
07/04 – Jo 5, 31-47: Atingidos pelo olhar de Deus, nos tornamos suas testemunhas.
08/04 – Jo 7, 1-2.10.25-30: O olhar de Cristo naqueles que dão testemunho da verdade.

Sábado: Fixe o olhar em Jesus Crucificado e veja nele alguém que está sofrendo e que você conhece. Traga presente a CF 2011, os gemidos da criação... Reze nestas intenções e apresente ao Senhor os frutos da semana. Conclua com uma oração espontânea, como: Minha luz é Jesus e Jesus me conduz pelos caminhos da paz...

QUINTA SEMANA – 10/04 – Jo 11, 1-45. Ele nos arrancou da escuridão do túmulo, e com seu olhar pede:

11/04 – Jo 8, 1-11: ...para não condenar, mas acolher.
12/04 – Jo 8, 21-30: ...para identificar-se com o “Eu Sou”.
13/04 – Jo 8, 31-42: ...para proclamar a verdade que liberta.
14/04 – Jo 8, 51-59: .... para guardar a Palavra á luz da fé.
15/04 – Jo 10, 31-42: ...fortaleza nas perseguições, por causa do seu nome.

Sábado: Fixe o olhar na natureza. Contemple-a com os olhos do Criador “que viu que tudo era bom.” Escute a criação gemendo em dores de parto, a espera da vida plena. Reze nestas intenções e apresente ao Senhor os frutos da semana. Conclua com uma oração espontânea, como: Senhor, arranca-me as amarras. Quero caminhar sem medo guiado por suas mãos...

SEMANA SANTA - 17/04 – O olhar doloroso, amoroso e glorioso de Jesus:

18/04 – Jo 12, 1-11: Para que eu exale o perfume de Deus.
19/04 – Jo 13, 23-33. 36-38: Para que eu glorifique o Pai, no Filho.
20/04 – Mt 26, 14-25: Para que eu seja fiel.

Obs: O retiro deve ser acompanhado de gestos concretos, sobretudo ligados a Campanha da fraternidade, como também a busca do sacramento da penitência. FELIZ E SANTA PÁSCOA!

Santas Perpétua e Felicidade

Santas Perpétua e Felicidade Numa perseguição que se desencadeou em Cartago, foram presos nesta cidade cinco catecúmenos, entre os quais uma escrava chamada Felicidade e uma mulher, ainda nova e de posição, chamada Perpétua. A primeira estava grávida de oito meses e a segunda tinha uma criança de peito. Receberam o batismo enquanto estavam presas.

Permitiram a Perpétua que levasse consigo o filho para o cárcere. Chegado o interrogatório, ambas confessaram abertamente a fé e foram condenadas a ser lançadas às feras no aniversário do imperador Geta. A mãe foi então separada do seu filhinho. "Deus permitiu que ele não voltasse a pedir o peito e que ela não fosse mais atormentada com o leite", escreveu Perpétua no diário que foi fazendo até o dia da sua morte. Narra em seguida uma visão em que lhe apareceu seu irmão Dinócrates, ao sair do Purgatório graças às suas orações, e outra em que lhe foi prometida a assistência divina no último combate.

Felicidade receava que, devido ao seu estado, não lhe permitissem morrer com a companheira, mas, três dias antes dos espetáculos públicos, deu à luz. Como as dores do parto lhe arrancassem gritos, um dos carcereiros observou-lhe: "Se tu te lamentas já dessa maneira, que será quando fores lançada às feras?". "Hoje sou eu que sofro, respondeu a escrava; nesse dia, sofrerá por mim Aquele por quem eu sofro". Deu à luz uma menina que foi adotada por uma mulher cristã.

Perpétua e Felicidade entraram alegremente no anfiteatro com os três companheiros. Envolveram-nas numa rede e entregaram-nas às arremetidas duma vaca furiosa. O povo cansou-se depressa de ver torturar as duas jovens mães, uma das quais ia perdendo o leite, e pediu que se acabasse com aquele espetáculo. Abraçaram-se então pela última vez. Felicidade recebeu o golpe de misericórdia impavidamente. Perpétua caiu nas mãos dum gladiador desastrado que falhou o golpe, "tendo-se visto ela própria na necessidade de dirigir contra o pescoço a mão trêmula do gladiador inexperiente". Estes martírios deram-se na era de 203.

Santas Perpétua e Felicidade, rogai por nós!

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?dia=7&mes=3

Somos chamdos a construir a nossa casa sobre a rocha - Cristo

Leituras do 9º Domingo do Tempo Comum – Ano A

1ª Leitura: Dt 11,18.26-28.32 = Eis que ponho diante de vós benção e maldição;
Salmo Responsorial: Sl 30 = Senhor, eu ponho em vós a confiança;
2ª leitura: Rm 3,21-25.28 = O homem é justificado pela fé sem a prática da lei;
Evangelho: Mt 7,21-27 = A casa construída sobre a rocha e a casa sobre a areia.

Estamos chegando ao fim do primeiro ciclo do Tempo Comum, com isso logo entraremos no Tempo da Quaresma. Neste domingo as leituras nos levam a refletir sobre o terreno em que estamos construído nossa casa, nosso edifício. Por isso, devemos nos perguntar sobre as escolhas que estamos fazendo em nossa vida: Estamos escolhendo a rocha ou o terreno arenoso? Estamos escolhendo um caminho de benção ou de maldição? Escolhendo a vida ou a morte?

Pois bem, meus irmãos e irmãs, respondendo as essas questões que a liturgia deste domingo nos leva a refletir sobre o nosso discipulado. Jesus nos orienta a caminhar no caminho reto, no caminho da salvação, de fazer a vontade do Pai, na prática da Palavra de Deus para que assim sejamos construtores que edificam a sua casa sobre a rocha, que é o próprio Cristo. Traçando um caminho de benção na prática dos Mandamentos sendo homens e mulheres de fé.

Não sejamos insensatos, não façamos nossa construção no terreno arenoso sobre as nossas próprias verdades, as verdades do mundo, praticando a injustiça, a ganância, a competição, desejando o mal para o próximo, não praticando a vontade de Deus e nem seguindo os ensinamentos contidos na Palavra de Deus. Traçando assim um caminho de maldição, negando a Deus abandonando a prática dos Mandamentos vivendo de uma fé de aparência.

Portando, o caminho do discipulado é um caminho de renuncias, muitas vezes pedregoso, de dificuldades, mas devemos segui-lo nos alimentando da Palavra de Deus, da Eucaristia e da vivência fraterna na comunidade de fé.

Sejamos perseverantes na caminhada de benção, na observância dos Mandamentos na escuta da Palavra, construído nossa casa sobre rocha. Pois virão as tempestades da vida, mas a nossa fé não se abalará, mas sim fortalecerá.